Crédito e empréstimos verdes no Equador: Apoio a pequenos empreendedores, capacitação de grupos vulneráveis e uso de um software automatizado para avaliar riscos sociais e ambientais

Solução completa
Mulheres empreendedoras da "Bio Warmi", uma empresa que produz cosméticos naturais à base de plantas medicinais, incluindo sabonetes, xampus, condicionadores, óleos essenciais e remédios ancestrais
CONAFIPS

O Equador é um dos 17 países megadiversos do mundo, com fauna e flora ricas. Entretanto, a dependência econômica de recursos não renováveis e práticas agrícolas insustentáveis ameaçaram sua biodiversidade. O empreendedorismo sustentável oferece uma alternativa para alinhar as atividades econômicas com a proteção ambiental. No entanto, mulheres de baixa renda, jovens e outros grupos vulneráveis enfrentam barreiras no acesso ao crédito para abrir pequenas empresas.

Em meio a essa situação, a Corporação Nacional de Finanças Populares e Solidárias (CONAFIPS) do Equador, com o apoio da Iniciativa de Financiamento da Biodiversidade (BIOFIN) do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), desenvolveu uma ferramenta do Sistema de Gestão de Riscos Sociais e Ambientais (SARAS): um software gratuito e automatizado que permite que as cooperativas de crédito examinem os pedidos de empréstimo com base em critérios sociais e de sustentabilidade.

Em agosto de 2024, as cooperativas de crédito aprovaram US$ 804 milhões em crédito verde usando o SARAS, promovendo uma economia positiva para a natureza, conservando a biodiversidade e apoiando mulheres e jovens.

Última atualização: 06 Jan 2026
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Contexto
Desafios enfrentados
Perda de biodiversidade
Usos conflitantes / impactos cumulativos
Perda de ecossistema
Colheita insustentável, incluindo a pesca excessiva
Falta de acesso a financiamento de longo prazo
Falta de oportunidades alternativas de renda
Desemprego / pobreza

No Equador, a dependência econômica de recursos não renováveis (por exemplo, petróleo) e a expansão de práticas insustentáveis na agricultura e na aquicultura ameaçam a rica biodiversidade do país. Essa situação demonstra a necessidade não apenas de fortalecer a conservação da biodiversidade, mas também de promover oportunidades econômicas alternativas e positivas para a natureza.

Embora o empreendedorismo sustentável possa ser uma opção viável para atingir esse objetivo, os empreendedores geralmente precisam de financiamento para iniciar ou ampliar suas atividades. No entanto, mulheres de baixa renda, jovens e outros grupos vulneráveis geralmente enfrentam barreiras no acesso a linhas de crédito de bancos tradicionais, devido a exigências rigorosas de garantias e altas taxas de juros.

A pandemia da COVID-19 agravou ainda mais a condição socioeconômica de comunidades já vulneráveis no Equador, tornando importante o desenvolvimento de programas de recuperação que atendam às suas necessidades e, ao mesmo tempo, incentivem práticas sustentáveis.

Escala de implementação
Local
Nacional
Ecossistemas
Agrofloresta
Terra cultivada
Pomar
Rangeland / pastagem
Floresta tropical decídua
Floresta tropical perene
Mangue
Pastagens tropicais, savanas, arbustos
Tundra ou pastagem montana
Tema
Integração da biodiversidade
Financiamento sustentável
Integração de gênero
Atores locais
Agricultura
Cultura
Extrativos
Localização
Equador
América do Sul
Processar
Resumo do processo

A Corporação Nacional de Finanças Populares e Solidárias do Equador (CONAFIPS) é uma instituição pública que opera como um banco de segundo nível. Ela aloca fundos para cooperativas de crédito em todo o país, que, por sua vez, oferecem microfinanciamento a indivíduos de comunidades vulneráveis que buscam abrir pequenos negócios. A BIOFIN apoiou o desenvolvimento do SARAS, uma ferramenta gratuita e automatizada que permite que as cooperativas de crédito examinem os pedidos de empréstimo com base em critérios e riscos ambientais e sociais, garantindo que o crédito aprovado seja direcionado para atividades sustentáveis. Essa iniciativa aproveita o sistema de cooperativas de crédito existente como ponto de partida, alinhando os fluxos financeiros com a conservação da biodiversidade em vez de criar um novo mecanismo de crédito a partir do zero. Após o desenvolvimento do SARAS, foram realizadas campanhas de comunicação e atividades de treinamento para garantir que as cooperativas de crédito usassem o software de forma eficaz para a concessão de crédito verde, compreendendo sua importância e seus benefícios.

Blocos de construção
O sistema de cooperativas de crédito no Equador: Desembolso de fundos nacionais por meio de uma rede difusa

As cooperativas de crédito oferecem serviços comuns aos bancos tradicionais, por exemplo, aceitar depósitos e conceder empréstimos. Por outro lado, elas se diferenciam por operarem como cooperativas e facilitarem o acesso ao crédito para indivíduos que não possuem ativos e, como resultado, potencialmente não se qualificariam para empréstimos de bancos tradicionais. Esse é geralmente o caso de mulheres de baixa renda, jovens e outras comunidades vulneráveis que buscam iniciar seu próprio negócio como fonte de renda. As cooperativas de crédito apoiam seu acesso ao crédito, exigindo taxas de juros mais baixas e garantias flexíveis.

No Equador, a Corporação Nacional de Finanças Populares e Solidárias (CONAFIPS) desembolsa recursos financeiros para as cooperativas de crédito, sendo uma instituição pública que atua como um banco de segundo nível. Em seguida, as cooperativas de crédito usam esses recursos para fornecer microfinanciamento a famílias equatorianas vulneráveis e de baixa renda por meio de suas próprias linhas de crédito. Essa estrutura cria um sistema difuso que permite que os fundos da CONAFIPS cheguem aos mais necessitados, alavancando a rede existente de cooperativas de crédito.

Fatores facilitadores
  • Alocação de recursos financeiros da CONAFIPS para as cooperativas de crédito.
  • Confiança popular no sistema de cooperativas de crédito.
Lição aprendida

As cooperativas de crédito representam um modelo eficaz para melhorar o acesso das comunidades vulneráveis ao crédito. Sua estrutura descentralizada permite que os serviços financeiros cheguem a áreas marginalizadas onde os bancos tradicionais podem estar ausentes. Além disso, ao aproveitar os recursos de uma instituição pública que atua como um banco de segundo nível, as cooperativas de crédito podem oferecer condições de empréstimo mais flexíveis.

Desenvolvimento de um Sistema de Gestão de Riscos Socioambientais (SARAS): tornando os fluxos financeiros mais verdes e alinhando os empréstimos das cooperativas de crédito com critérios sustentáveis, sociais e de gênero

Antes dessa iniciativa, as cooperativas de crédito concediam empréstimos para apoiar atividades que nem sempre estavam alinhadas com práticas sustentáveis, uma vez que não havia um sistema integrado para avaliar critérios ambientais nos pedidos de empréstimo. Portanto, a BIOFIN auxiliou a Corporação Nacional de Finanças Populares e Solidárias (CONAFIPS) no desenvolvimento de um Sistema de Gestão de Riscos Socioambientais, conhecido como SARAS.

O SARAS é um software on-line de acesso gratuito que permite que as cooperativas de crédito examinem os pedidos de empréstimo e garantam que eles se qualifiquem como verdes antes da aprovação. Em detalhes, o SARAS combina critérios sociais e ambientais predefinidos com tecnologias avançadas, como mapas de risco, mecanismos automatizados para verificação de conformidade e análises automatizadas de riscos de empréstimos. O software também inclui informações desagregadas de gênero nas avaliações de empréstimos.

Como resultado, para cada solicitação de empréstimo, o sistema SARAS examina as informações fornecidas e avalia se o crédito apoiará atividades sustentáveis, um requisito para aprovação de acordo com a legislação nacional para cooperativas de crédito. Por ser automatizado e gratuito, o SARAS foi facilmente incorporado pelas cooperativas de crédito sem desafios financeiros ou técnicos significativos.

Fatores facilitadores
  • Acesso a serviços de desenvolvimento de software e financiamento do Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF) e do Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais do Reino Unido para a criação da plataforma.
  • Coordenação com o Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF) para atualizar a primeira versão da plataforma.
  • Compromisso do governo e das cooperativas de crédito com o avanço da ferramenta.
Lição aprendida
  • A inovação digital é um processo valioso para desenvolver softwares e ferramentas fáceis de usar que aprimorem as políticas e os serviços públicos para a conservação da biodiversidade, especialmente quando essas ferramentas podem ser facilmente incorporadas em diferentes níveis de prestação de serviços, do nacional ao local, sem a necessidade de grande conhecimento técnico.
Conscientização e capacitação sobre crédito verde e o software SARAS

Além do lançamento do SARAS, é fundamental garantir que as cooperativas de crédito compreendam a importância da sustentabilidade e utilizem efetivamente o software para a aprovação de crédito verde. Para isso, a BIOFIN apoiou a CONAFIPS com campanhas de comunicação e atividades de treinamento para as cooperativas de crédito.

20 cooperativas de crédito foram selecionadas para um programa piloto com assistência técnica dedicada. O apoio concentrou-se na definição de critérios de qualificação para linhas de crédito verde, na seleção de atividades elegíveis para financiamento, no uso do SARAS para triagem e monitoramento de empréstimos e na garantia de alinhamento com as leis e regulamentações equatorianas. As sessões de treinamento também abordaram tópicos como inclusão de gênero e desenvolvimento de negócios verdes.

Além disso, a BIOFIN desenvolveu um curso online aberto e massivo (MOOC) que abrange os fundamentos do crédito verde e apresenta o SARAS. Essa iniciativa permitiu que várias cooperativas de crédito alinhassem seus serviços com critérios de sustentabilidade e adotassem o software, ampliando o alcance do SARAS para além do programa piloto. Até dezembro de 2024, 5.667 participantes de 257 cooperativas de crédito concluíram as atividades de treinamento.

Fatores facilitadores
  • Acesso a financiamento do Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF) e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para apoiar as atividades de treinamento em SARAS e aumentar o fornecimento de capital por meio de linhas de crédito verde, inclusive capital semente.
  • Compromisso das cooperativas de crédito em adotar o SARAS e promover iniciativas de produção de crédito verde.
Lição aprendida
  • Campanhas de comunicação, atividades de conscientização e sessões de treinamento são fundamentais para o avanço da conservação da biodiversidade. Esses esforços ajudam a garantir que os interessados se sintam genuinamente comprometidos com a promoção de práticas sustentáveis e reconheçam o valor de ferramentas como o SARAS, o que, em última análise, leva à adoção generalizada e ao uso eficaz.
  • Os cursos on-line facilitam o compartilhamento de conhecimento com muitas pessoas em diferentes locais, especialmente quando os recursos financeiros são limitados.
Impactos

Em agosto de 2024, a Corporação Nacional de Finanças Populares e Solidárias (CONAFIPS) do Equador desembolsou US$ 804 milhões em crédito verde por meio de cooperativas de crédito que usaram o SARAS para a triagem de empréstimos. Os fundos foram direcionados para a agricultura sustentável, energia renovável, gestão de resíduos e outros setores, bem como para atividades inovadoras, incluindo moda sustentável, cosméticos e construção com materiais nativos.

Portanto, essa iniciativa redireciona os fundos para atividades positivas para a natureza, apoia a geração de renda local e a criação de empregos e ajuda a reduzir os custos futuros de restauração, promovendo práticas sustentáveis hoje.

Mais de 50% dos beneficiários dos empréstimos são empresas lideradas por mulheres e cerca de 25% têm menos de 25 anos, contribuindo para o empoderamento de mulheres e jovens e apoiando seu desenvolvimento econômico em consonância com a conservação da biodiversidade.

Beneficiários
  • Pequenos empreendedores em comunidades vulneráveis do Equador.
  • Cooperativas de crédito com maior conhecimento sobre conservação da biodiversidade e maior capacidade de fornecer crédito verde.
  • A população em geral se beneficia dos ecossistemas protegidos.
Estrutura Global de Biodiversidade (GBF)
Meta 3 do GBF - Conservar 30% da terra, das águas e dos mares
Meta 10 do GBF - Melhorar a biodiversidade e a sustentabilidade na agricultura, aquicultura, pesca e silvicultura
Meta 14 do GBF - Integrar a biodiversidade na tomada de decisões em todos os níveis
GBF Target 16 - Enable Sustainable Consumption Choices To Reduce Waste and Overconsumption (Possibilitar escolhas de consumo sustentável para reduzir o desperdício e o consumo excessivo)
Meta 18 do GBF - Reduzir os incentivos prejudiciais em pelo menos US$ 500 bilhões por ano e aumentar os incentivos positivos para a biodiversidade
Meta 19 da GBF - Mobilizar US$ 200 bilhões por ano para a biodiversidade de todas as fontes, incluindo US$ 30 bilhões por meio de financiamento internacional
Meta 20 do GBF - Fortalecer a capacitação, a transferência de tecnologia e a cooperação científica e técnica para a biodiversidade
Meta 23 do GBF - Garantir a igualdade de gênero e uma abordagem sensível ao gênero para a ação em prol da biodiversidade
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
ODS 1 - Erradicação da pobreza
SDG 5 - Igualdade de gênero
ODS 8 - Trabalho decente e crescimento econômico
ODS 10 - Redução das desigualdades
ODS 12 - Consumo e produção responsáveis
ODS 13 - Ação climática
ODS 15 - Vida na terra
ODS 17 - Parcerias para os objetivos
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